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Guterres, o refém da ONU

por Jorge Santos, em 28.04.22

  A Organização das Nações Unidas, fundada no final da 2ª Guerra Mundial para fomentar a cooperação entre as Nações, está estatutariamente desactualizada. O que não surpreende face às mudanças políticas, sociais e geoestratégicas desde a sua criação até agora. Se dúvidas houvesse, esta invasão, promovida pela Rússia, esclarece-as todas.

 António Guterres, pacifista e, por consequência, humanista, por mais que se esforce, e esforça-se!, na mediação do conflito, nada vai conseguir.  O secretário- geral pretende  o mesmo que toda a gente de bom-senso: o fim imediato do cessar fogo. Tarefa inglória. Para Guterres ou para qualquer outro mediador. Até para os corredores humanitários há imensas dificuldades. A Rússia, simplesmente, boicota. Putin sabe bem o que quer e não pára enquanto não o conseguir. Por seu lado, os ucranianos, defendem o  país e não se vão render. Preferem morrer. Um nó górdio, portanto!

Negociar seria possível se António Guterres pudesse, sim, pudesse!, mediar. Mas não é possível, depois do veto da Rússia às deliberações do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O secretário geral é, neste momento, um refém e não negociador.

 Pode por-se em causa o papel da ONU e se faz sentido a sua existência face a este conflito. Parece  que a sua organização interna caducou. Os 5 membros permanentes do Conselho de Segurança com poder de veto são a Rússia, China, os Estados Unidos, França e Reino Unido. O que esperar desta dinâmica? Nada. Faliu. Como podem estados agressores ter direito a vetar as suas próprias ações? Inadmissível!  Os países que possuem as armas nucleares mais evoluídas( que se saiba!)  pertencem a este lote: Rússia, Estados Unidos e França. Guterres é um refém. E o resto do mundo também.

  Tudo isto tem de alterar-se. É indubitável. Por que via é que constituí a dúvida. Negociar, é cada vez mais difícil. Resta o belicismo. A agressão. A subserviência dos pequenos aos grandes.  v  Gradualmente, os extremos políticos crescem e as soluções para os problemas graves vão afunilando. Estaremos a chegar ao fim de um ciclo?

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António Guterres a visitar Bucha. A sua expressão diz tudo.

  

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publicado às 19:44

A Longa Mesa da Discórdia

por Jorge Santos, em 26.04.22

Guterres e putin.jpg

  Talvez estejam certos os defendem ser demasiado tardia a visita de Guterres a Putin. Porém,  parar uma guerra, nunca é tarde. Procurar a abertura dos canais do diálogo é sempre oportuna. O presidente da ONU nunca terá acreditado na ousadia maléfica do ditador russo. Imediatamente antes da invasão, vários foram os políticos que tentaram travar Putin. Sem resultados. Lembrei-me, nessa fase, do "acordo" assinado em Munique entre Chamberlain e Hitler, que de nada valeu, pois os ditadores, além de obstinados, são mentirosos. E o assassino alemão não honrou a assinatura.

  Putin já tinha formatado no seu cérebro perturbado o que pretendia fazer. As negociações eram mero disfarce, uma forma de entreter os ocidentais . Se quisesse evitar a invasão e discutir até à exaustão um acordo com o presidente ucraniano, tinha-o feito. Mas o que Putin queria era isto mesmo que está a acontecer. Invadir a Ucrânia, de modo a que a NATO continue longe do seu "Império".

 A iniciativa de António Guterres,  no início do conflito ou agora, teria o mesmo desfecho. Porque Putin não quer negociar. Já roubou a Crimeia,  o Donbass,  a Transnístria ( à Moldávia). E quer toda a região que actualmente ocupa. Só falta Odessa. E fecha o mar à Ucrânia, abrindo um corredor rumo ao ocidente. Negociar o quê? Um fascista  pára de cometer crimes quando é abatido,  afastado do poder ou preso. Ou suicidando-se, claro.

  Só o exército russo pode  pôr termo à guerra, retirando Putin do poder,  à força. O que é pouco provável.

  Olhar para a foto acima demonstra o desvio mental do sujeito. Faz sentido receber o presidente da ONU, tal como recebeu Macron, com seis metros de distância, na célebre mesa do Kremlin? Só um paranóico, cobarde, com medo da própria sombra, como são todos os ditadores.

  Para perceber Putin, é suficiente olhar a imagem. A distância entre o mundo ocidental, democrático e pacífico fica a uma distância extraordinária do fascismo e das forças bélicas e expansionistas. É exponencialmente proporcional ao tamanho da mesa. 

  Os políticos radicais, como Putin, não querem, nem sabem dialogar. Apenas oprimir. Obrigar. Mandar.

  O diálogo é um privilégio das democracias. 

( Créditos fotografia: EPA/Valdimir Astapkovich/Kremlin pool/ Sputnik )

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publicado às 21:07


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