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O medo mórbido da verdade

por Jorge Santos, em 12.05.22

jornalista assassinada 2.jpg

 Shereen é mais uma jornalista abatida por militares. De nacionalidade palestiniana e americana, acompanhava uma operação do exército israelita no campo de refugiados de Jenin, na Cisjordânia ocupada. Tratava-se de mais uma reportagem, entre as muitas que fazia, para o canal televisivo Al Jazeera. A morte foi causada por um tiro na cabeça. Além de ser muito conhecida quer por israelitas quer por palestinianos, usava capacete bem identificado e um colete "Press". As suas armas eram os olhos, ouvidos, bloco-notas, câmara de filmar e microfone. Perigosíssimas, pois,  para os ditadores, expansionistas e colonizadores. Pessoas decentes, mesmo em guerra ( não era este o caso!), respeitam os jornalistas. Quando não querem que avancem, dizem. E os repórteres, habitualmente, respeitam.

  A pressa do Primeiro Ministro de Israel vir a público afirmar que deveria ter sido atingida por fogo palestiniano, revela o carácter da figura. Político e pessoal. Sem avançar com qualquer tipo de investigação, o mais avisado seria aguardar e falar posteriormente. Para quê tanta rapidez? Dá que pensar.

  Segundo a France-Press, não havia nas redondezas palestinianos armados. E os tiros mantiveram-se, já a jornalista estava por terra, durante mais algum tempo, disse a agência. Provavelmente, eram para "varrer" todos os que acompanhavam Shereen. Não podemos esquecer que a opinião pública da Palestina chamava-lhe " A Nossa Voz".

  Os políticos e militares que não têm a consciência tranquila ou nem sequer consciência, apavoram-se com a verdade. O desaparecimento do mensageiro, apazigua-os. Num mundo em que o totalitarismo avança a todo o vapor, Putin vai deixando raízes em locais onde menos se espera, a Humanidade desumaniza-se rapidamente. E ninguém está seguro. Nem os jornalistas nem as populações em geral; quando se coloca, ainda, a dúvida se disparar deliberadamente contra cidadãos desarmados  é ou não crime de guerra!!  Vamos no mau caminho.

  O avanço tecnológico está a ser inversamente proporcional ao humanismo. A liberdade de expressão, indispensável à democracia, é a primeira a ser destruída. Assim foi em todas as ditaduras. Tudo preparado, portanto, para a reescrição da História e a destruição da verdade...à lei da bala. Crápulas assassinos.

                               

jornalistas assassinada 1.jpg

(Fotos: Al Jazeera e Sapo24)

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publicado às 19:54


1 comentário

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De Zé Onofre a 12.05.2022 às 20:57

Boa tarde
Agradecido pelo relevo que deu a esta barbaridade. Contudo os Israelitas (e não digo Judeus porque ser Judeu é termo de pertença a uma religião) não estão sós, têm as costas quentes pelas democracias ocidentais, principalmente dos EUA que mudaram a sua embaixada para Jerusalém à revelia da ONU.
Quem tem as costas quentes pelas democracia$ ocidentai$ está com Deu$, os outros são demónios.
Zé Onofre

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